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País pobre-rico ainda à espera da revolução
Moçambique está suspenso de biliões desaparecidos, enquanto grandes explorações de riquezas naturais alastram pelo país. Daqui a um mês há eleições, mas a alternância política continua a ser entre facções do Partido. O nome d’O Partido quer dizer Frente de Libertação de Moçambique. Falta a revolução -
O país de Lula
É candidato. Prendem-no. Recorre da prisão. A candidatura é rejeitada. Recorre da rejeição. Já tem substituto, mas ainda não retirou o nome. Vai ser Haddad, mas ainda é Lula. Suspense até ao fim na mais dramática eleição brasileira deste milénio. O país vai a votos daqui a um mês. Entretanto, os aca -
Este povo preto, periférico, lgbt, de Marielle Franco, com mais mulheres do que nunca na frente
Quem matou Marielle? A pergunta está por toda a parte, no Rio de Janeiro (e não só). A deputada carioca, negra, criada numa favela, prestes a casar com a mulher da sua vida quando foi executada, transformou-se no luto político do Brasil recente, e num grande símbolo de luta. Dezenas de mulheres emer -
Um museu de todos nós, um luto de todos nós, e aquilo que podemos fazer
Este seria — é — um momento de ajudar, fazer, dar de um modo cem por cento descolonizante. De olharmos para a nossa história junta, fazermos jus aos mortos, e ao trabalho incansável dos vivos nesse lugar da memória que é/era o Museu Nacional. -
Um Brasil que não acolhe refugiados
Uma multidão no extremo norte do Brasil expulsou refugiados venezuelanos com paus, pedras e fogo. Mas o problema vai muito além desse ataque. É do governo estadual e do governo federal. Um Brasil que tem no seu DNA a imigração e se mostra incapaz de lidar com o fluxo de refugiados. -
Jesus, negro, favelado (ou como evangélicos e esquerda precisam de falar)
Dentro de alguns anos, o Brasil será maioritariamente evangélico e “se fabricarmos uma narrativa esquerda versus evangélicos estamos fritos”, alerta o pastor Henrique Vieira. “Tem de haver uma disputa de identidade e pontes para o diálogo. Se criarmos essa rivalidade estaremos enterrando a democraci -
#EuAbortei, #YoAborte, ou as campanhas pelo aborto legal, seguro e gratuito na América Latina, com uma nota ao Papa Francisco, e aos evangélicos
O fortalecimento combativo das mulheres foi das coisas mais emocionantes, mais encorajadoras de ver, e a cada vez que aqui piso parece-me que os saltos estão cada vez mais fortes. Bem precisamos porque nunca as mulheres com voz foram tão ameaçadas, vai fazer meio ano que Marielle Franco foi morta, o -
Robles só podia renunciar. Em nome de quem vota no Bloco, mas não só
Enquanto continuar a votar, e a acreditar em eleições (o que é uma batalha diária), bem gostaria de votar em políticos que tenham a mania que são diferentes porque, sim, são diferentes. Moralismo não é moralidade ou ética, será mesmo o oposto. Não estou nada interessada em moralismo, mas interessa-m -
Uma das mil e uma razões para amar Caetano Veloso
Se quem é ateu como eu viu milagres, um deles é a existência de Caetano Veloso. Dá esperança à raça humana, pretos, brancos, índios, mulatos, o que cada um pensar que é, e mais virá a ser. A Segunda Abolição da Escravatura tem de passar por aí, ou não o será. -
Quando foi a última vez que pensou na letra do hino nacional?
Por tudo o que me faz amar Portugal, do cimo das Penhas Douradas à Fajãzinha das Flores, o que eu gostava que algum primeiro-ministro, algum presidente deste país respondesse assim: — Porque não um Museu das Descobertas/Descobrimentos? — Porque estamos em 2018. -
O futuro de Portugal é o Star Trek
O presidente da câmara está alarmado com o caos no aeroporto de Lisboa. Esse alarme aparece-me entre posts em que amigos partilham o metro de Lisboa a abarrotar, as ruas de Lisboa cheias de lixo, antigas papelarias-livrarias-mercearias que agora são não-sei-quê-gourmet e hordas de despejados de Lisb -
O novo vizinho de Trump promete mudar tudo
A direita fez dele o esquerdista que come as criancinhas todas (e o capital) com guacamole, e por duas vezes López Obrador perdeu eleições presidenciais. À terceira, a direita continuou a fazer o mesmo mas a raiva dos mexicanos foi mais forte. -
Num país onde um fiscal de transportes públicos rodeado de gente pode insultar, espancar, rebentar a cara de uma jovem negra, eu não quero viver
Não há nós enquanto acontecer um milésimo do que aconteceu a Nicol. Não há nosso país. Será um país de merda, aquele que continua a chamar “preta de merda” às Nicol. Seremos todos responsáveis. Estaremos todos naquela roda de gente em volta daquele homem que arrancou Nicol de um autocarro, chamando- -
O sonho americano não rebentou esta semana
Os EUA secaram a vida a sul da fronteira. Plantaram golpes, patrocinaram ditaduras, gastaram os pobres, mantendo-os pobres. O lado de baixo da fronteira foi o bordel, o bar, a droga, o trabalho escravo. Em baixo o pesadelo, em cima o sonho. Um paga o outro, e não é de agora. -
É golo para o czar do século XXI (mas a luta continua)
Guardo a beleza do que tantos russos criaram, muitos pagando alto preço: silenciamento, miséria, cadeia, perseguição, morte. É disso que quero falar no dia em que o Mundial de Futebol começa. De como a luta continua. Ir à Rússia agora também pode servir para isso, tirar a bola a Putin. -
Eutanásia: carta aberta a um leitor que está no PCP há meio século
Claro que o PCP não é o CDS. Por isso, e não pelo contrário, é que vale a pena atirar a pedrinha contra o espelho quando o PCP fala e age como o CDS. -
PCP & CDS, sejam amiguinhos mas deixem a minha morte sossegada
Separados à nascença, unidos pela vida: PCP & CDS. A união de facto é linda, e quem sou eu para me meter na vossa intimidade. Da mesma forma, quem são vocês para se meterem na minha? -
A força palestiniana, o suicídio de Israel e a tragédia de todos nós
Só o mundo pode acabar com a ocupação. Cada um à sua maneira e todos somados. -
Com João, Renée, Ihjãc, Kotô, Vítor (e Mira), antes de voarem todos para o Festival de Cannes
Da aldeia indígena para Lisboa, e daqui para Cannes, incluindo a foto de cerimónia na passadeira vermelha. Esperem para ver como, vai valer a pena. -
Beleza contra guerra, no pior lugar do mundo para ser mulher
“O Que Faço Eu Aqui?” Foi uma pergunta que fiz várias vezes a mim mesma no Afeganistão. Sobretudo na primeira manhã que acordei em Kandahar, com explosões atrás da cama. Mas é uma pergunta que, na verdade, nunca mais nos abandona quando nos lembramos de lugares como o Afeganistão. Um dos mais bravos -
O 25 de Abril não é só português, é africano. Muito por agradecer, por saber.
A cada ano, a desvalorização que muitos fazem do 25 de Abril mostra como as cabeças não foram descolonizadas. E enquanto não forem continuará a ser muito difícil travar alguns debates em Portugal. Continua a ser possível, por exemplo, falar-se em Museus dos Descobrimentos e outras pérolas. -
Do Tarrafal vê-se o império português (44 anos depois do 25 de Abril)
Ir ao campo de concentração do Tarrafal devia fazer parte da vida escolar em Portugal. O 25 de Abril está cheio de passado, foi uma revolução sem sangue depois de séculos de sangue. Também por isso está cheio de futuro. Com ele caminhamos. -
Bethânia, Caetano, Boulos, Lula: “Fevereiros” em Abril ou as tantas formas de resistir
Tudo é político, corpo é resistência, pele é resistência, beleza é resistência, amor é resistência. E, como no filme “Fevereiros”, tudo se costura, tudo se liga.