Marine Le Pen: a grande candidata em França que afinal poderá não se candidatar. Mas tem o apoio de Musk
A líder da extrema-direita francesa, Marine Le Pen, e oito eurodeputados franceses do seu partido União Nacional (RN) foram hoje considerados culpados de desvio de fundos do Parlamento Europeu pelo Tribunal de Paris.
O que aconteceu?
O tribunal estimou Marine Le Pen desviou fundos no valor de 2,9 milhões de euros durante mais de 11 anos, “ao longo de três legislaturas”, uma vez que os eurodeputados do RN fizeram com que “o Parlamento Europeu pagasse a pessoas que estavam efetivamente a trabalhar para o partido” de extrema-direita.
E agora?
Le Pen foi condenada a quatro anos de prisão — dois de prisão efectiva, podendo cumpri-los com pulseira eletrónica —, ao pagamento de uma multa de 100 mil euros e a cinco anos de inelegibilidade para cargos públicos, com execução imediata.
Os 12 assistentes julgados juntamente com os eurodeputados foram igualmente considerados culpados de manipulação de bens roubados.
Como reagiu?
Marine Le Pen acusou a juíza de "violar" o Estado de Direito a presunção de inocência ao ter aplicado uma pena de inelegibilidade com efeito imediato.
A acusada diz que compreendeu "logo perfeitamente que foi uma decisão política”.
E o futuro próximo?
Esta condenação implica automaticamente uma pena de inelegibilidade para Marine Le Pen, de 56 anos, não estando ainda determinado se será “provisoriamente executória” e, por conseguinte, imediata, impossibilitando que se candidate nas presidenciais francesas previstas para 2027 para suceder ao Presidente Emmanuel Macron.
A líder política, de 56 anos, parecia ter tudo a seu favor para assumir o Palácio do Eliseu em 2027, mais de uma década depois de herdar as rédeas do histórico partido de extrema-direita do pai, Jean-Marie Le Pen.
Sem um candidato claro do partido para suceder o atual presidente de centro-direita, Emmanuel Macron, nas eleições, a rival na segunda volta de 2017 e 2022 parecia estar numa posição forte nas sondagens.
Le Pen também viu as suas ideias anti-imigração ganharem força numa França cada vez mais de direita, mas também num mundo onde os populistas ganham terreno, como na Itália, Hungria, Argentina e Estados Unidos.
De acordo com uma sondagem do Ifop publicada este domingo, entre 34% e 37% dos franceses estavam dispostos a votar em Le Pen na primeira volta das eleições presidenciais de 2027. Numa outra sondagem da Odoxa, parecia ser a líder com maior apoio popular.
Marine Le Pen apresenta-se como uma "mulher moderna" e solteira. Esta mãe de três filhos divorciou-se duas vezes, separou-se do último companheiro e mora com uma amiga de infância.
Por enquanto, não deu nenhum indício sobre o que fará agora. A nível partidário, já deu a entender, em novembro, que o seu candidato presidencial agora poderia ser Jordan Bardella, o popular e jovem presidente de 29 anos do RN.
Quem já demonstrou apoio?
Elon Musk responsabilizou hoje a "esquerda radical" pelos "abusos do sistema judicial" após a condenação da líder da extrema-direita francesa, Marine Le Pen, impedida de concorrer às eleições presidenciais.
“Quando a esquerda radical não consegue vencer através do voto democrático, abusa do sistema judicial para prender os seus opositores. Este é o seu ‘modus operandi’ em todo o mundo”, escreveu Elon Musk na sua rede social X.
Noutra mensagem, considerou: “Isto vai fazer ricochete, como aconteceu com os ataques judiciais ao Presidente Trump”.