A subserviência face a quem tem poder ou fama é uma doença que alastra por aí com rapidez. Muitas vezes, perante exigências e arrufos é difícil de ter algum bom senso. O Presidente de Sintra pelos vistos teve.
Entrou na reforma. Porque optou por se reformar ou porque a lei o obrigou. E o que acontece? Talvez lhe façam uma festa na empresa, talvez lhe ofereçam uma prenda com simbolismo e isso possa encher o seu coração. A pergunta é: está preparado para esperar quase um ano para começar a receber o valor d
Um homem ou mulher capaz de acusar outro ou outra de maus tratos como ferramenta de humilhação é o preço que temos de pagar pela coragem de outros e outras de enfrentar os seus agressores?
Uma mulher não é fraca, destituída, menor, frágil, incapaz, indecente, tentadora, demoníaca, subserviente, criada, alvo fácil, medrosa, infeliz. Uma mulher, em 2019, deveria ser capaz de ser apenas feliz, independente, forte, poderosa, possuidora de uma voz activa, viajante, livre. Sobretudo deveria
Neste mundo de alta velocidade o corpo é um traidor por não conseguir acompanhar o que a sociedade pretende de todos nós, por se mostrar fraco e ineficaz, desgraçado no seu desempenho. Já não somos apenas aquilo que comemos, somos aquilo que respiramos, a forma como atravessamos os nossos dias, as h
E tu queres ser ministra? Queres que te perguntem pelo teu cabelo, pelos teus biquínis, pelos negócios que a tua família fez há gerações, pela forma como educas os teus filhos ou cozinhas? Pelo teu curriculum vitae? Queres?
Falemos em feminicídio. Falemos em moral. Em cultura. Não falemos em saúde mental, porque, nesse caso, estamos a desresponsabilizar e a dizer que há uma perturbação mental que afecta, maioritariamente, homens e cujo mote é a violência contra as mulheres, namoradas, mães, filhas. Falemos em Justiça.
A reportagem de Miriam Alves na SIC sobre vítimas de violação – crime, silêncio e preconceito - e a resposta da Justiça face a casos determinados é uma lição que, porventura, muitos não quererão saber, mas que importava que todos quisessem saber. Saber que as violações são um crime sexual que não te
A vivência do início de um novo ano traz várias coisas estranhas, entre elas a capacidade de perceber de imediato que não vou fazer dieta nem mudar o mundo. Não vou contribuir para a paz no planeta, não vou ser pioneira na área da medicina ou outra ciência qualquer, não vou conseguir convencer os me
Censurar Fernando Pessoa a pretexto do público-alvo ser adolescente (ao nível do secundário) é um tiro no pé. Se me recordo da minha adolescência, e recordo bem, eu iria logo à cata do que me tivessem proibido de ler.
Esta coisa de ser mulher não é fácil, às tantas deveríamos fazer conferências de imprensa diárias para esclarecer sexistas e machistas, mas quem tem tempo para tanto?
As famílias felizes parecem-se todas; as famílias infelizes são infelizes cada uma à sua maneira, eis a frase de Tolstoi no livro Anna Karenina à qual nos podemos agarrar na época das festas.
Estamos sempre a correr, em modo de alerta, em modo de voo ou silencioso, com os telemóveis na mão, ligados, hiper ligados, a sufocar no nosso próprio desgosto se não temos rede para correr com o resto da manada.
A língua evolui, contamina-se, é um tecido vivo e não pretendo ser purista da língua, longe de mim. O que me aborrece é perceber que diminuímos o vocabulário à conta da facilitação da leitura e da escrita e que não temos cuidado com a língua que nos dá identidade.
A propósito da Conferência Anual do Plano Nacional de Leitura, a comissária, Teresa Calçada, disse: “Como não é tribal entre nós ler, mesmo os miúdos que lêem têm tendência a ler menos, ou a dizerem que não lêem, ou a acomodarem-se nisso, porque não é uma prática bem-vista. Nenhum miúdo se esconde d
Há pessoas que só nos interessam pela utilidade que demonstram ter na nossa existência. Exemplos comezinhos: a alma caridosa que muda o pneu ou arranja o mecanismo do secador da roupa; a outra alma caridosa que nos ajuda a preencher o formulário do IRS ou do IVA; aquela outra que nos dá a mão numa h
Não pensamos muito no assunto, mas a verdade é que qualquer pessoa pode ser apanhada nas malhas da escravatura, não é um cenário estrambólico, é a realidade. A escravatura no século XXI existe e até está tipificada.
The House of Cards é ficção mostrou ao mundo uma perspectiva maléfica e esquematizada de poder que, no mundo real, parece estar a tomar proporções extraordinárias, escrevo extraordinárias no sentido de fora do “normal”.
As mulheres e a igreja católica é uma história longa, dura, tenebrosa até. Existem pesadelos mais suaves. Não depende do tempo, do contexto histórico, porque a sociedade evolui, mas o papel da mulher mantém-se: serve para servir, para ser perseguida ou discriminada ou viver dentro da instituição com
Os pais, como acontece com os bons pais, empurram com a barriga e vão cuidando, pagando, fazendo o melhor que podem. No caso de terem condições, perguntarão? Pois, no caso de possuírem condições económicas para tanto.