
Em “O preço do otimismo na saúde masculina”, são abordadas razões culturais, emocionais e clínicas que afastam os homens da consulta médica.
Os números não mentem: os homens vivem menos e cuidam-se menos
A esperança média de vida é inferior nos homens. As doenças cardiovasculares, o cancro e a diabetes são as doenças mais frequentes. E no entanto, continuam a evitar os serviços de saúde — sobretudo os relacionados com saúde mental e sexual.
“Há uma ideia enraizada de que o homem tem de aguentar tudo”, explica Henrique Prata. “Essa crença leva a que se neguem sintomas, se evitem diagnósticos e se adiem consultas.”
Em Portugal, mais de 70% dos suicídios são cometidos por homens, e os sinais de sofrimento muitas vezes passam despercebidos. A depressão no sexo masculino pode manifestar-se de forma diferente: irritabilidade, abuso de substâncias, comportamentos de risco. Tudo isso contribui para um subdiagnóstico perigoso, que a psiquiatria tenta contrariar com escuta ativa, abordagem prática e desconstrução de estigmas.
Sexualidade, próstata e outros tabus
Outro dos pontos abordados no episódio, é o silêncio em torno da sexualidade masculina. “É raro um homem falar de disfunções sexuais ou incontinência na consulta”, conta Margarida Santos, médica de família. No entanto, sintomas como esses podem ser os primeiros sinais de doenças mais sérias, como problemas cardiovasculares.
Henrique Prata defende a normalização das consultas de urologia e a integração da saúde íntima masculina nos check-ups de rotina. “Cuidar da sexualidade também é cuidar da saúde geral.”
A saúde mental começa nas emoções (e nos amigos)
O psiquiatra relembra ainda que muitos homens crescem sem espaço para expressar emoções. O estigma que ainda perdura de “o homem não chora” impede-os de reconhecer fragilidades e pedir ajuda. Resultado? Dependências, isolamento e sofrimento silencioso.
Neste cenário, o papel dos amigos, da família e da comunidade torna-se essencial. “Quando o círculo mais próximo incentiva o cuidado, tudo muda”, afirma Henrique Prata. Apostar em grupos de apoio, educação emocional desde a escola e campanhas com figuras públicas pode ser uma forma eficaz de quebrar este ciclo.
O papel dos profissionais de saúde
Como conquistar a confiança masculina nas consultas? A resposta está na empatia e na linguagem. Falar de forma clara, prática e sem julgamentos. Criar um ambiente seguro. E incluir os exames de rotina como parte natural do cuidado.
A psiquiatria tem um papel fundamental, não só no tratamento de patologias, mas também na reeducação emocional e na promoção de uma masculinidade mais saudável e consciente.
Este episódio de Top of Mind propõe uma nova forma de olhar para o autocuidado masculino: menos heroica, mais humana.
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O Top of Mind é um podcast da BIAL, produzido pela MadreMedia e apresentado por Margarida Santos. O Podcast em que o conhecimento tem a palavra, é um espaço onde a ciência e a medicina inspiram e transformam.
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