Segundo o El País, a fórmula usada por Trump para calcular as tarifas "recícrocas" parecem apresentar uma metodologia complexa, mas na verdade foram contornados alguns parâmetros importantes.

Para encontrar o nível de tarifas a aplicar a cada país apenas foram tidos em conta dois indicadores: as importações e o défice comercial que os EUA têm com cada país.

O jornal espanhol explica que, apesar das "letras gregas" apresentadas, a conta feita é simples, já que basta dividir  o défice comercial pelas importações. Com isto, obtém-se uma percentagem que é depois dividida por 2 como prova da "benevolência" de Donald Trump.

De acordo com os dados do Serviço de Recenseamento dos EUA, o défice comercial com a União Europeia foi de 235,571 mil milhões de dólares e as importações dos EUA provenientes da UE foram de 605,760 mil milhões de dólares. Dividindo um valor pelo outro, obtém-se uma percentagem de 38,8%, que arredonda para 39%, o valor que Trump apresentou no seu plano como as tarifas aplicadas pela UE aos EUA. Por sua vez, dividir 39% por 2 dá 19,5% que, arredondado, dá 20%.

Altos funcionários da administração de Donald Trump admitiram implicitamente aos jornalistas, na quarta-feira, que as barreiras não comerciais não estavam a ser medidas. "O modelo baseia-se no conceito de que o défice comercial que temos com um determinado país é a soma de todas as práticas comerciais desleais, a soma das fraudes", disse um funcionário da administração sob condição de anonimato.

As novas tarifas

O presidente norte-americano vai implementar taxas idênticas àquelas que diz serem aplicadas aos produtos norte-americanos exportados, não tendo divulgado porém a forma de cálculo destas novas tarifas.

As novas tarifas de Trump são uma tentativa de fazer crescer a indústria dos Estados Unidos, ao mesmo tempo que pune os países por aquilo que disse serem anos de práticas comerciais desleais.

No entanto, a maioria dos economistas acredita que as tarifas ameaçam mergulhar a economia numa recessão e, ao mesmo tempo, destruir alianças de décadas.

A União Europeia está a preparar-se para tensões na relação com a nova administração de Donald Trump, especialmente em relação a tarifas comerciais, mas no espaço comunitário paira a incerteza sobre a parceria transatlântica.

Após múltiplos alertas de especialistas económicos e financeiros sobre os impactos do aumento de tarifas na inflação nos Estados Unidos e no comércio económico global, Donald Trump exibiu na Casa Branca uma tabela com o nível das barreiras comerciais e não comerciais sobre produtos norte-americanos em vários países e mercado e o que Washington vai passar a cobrar a partir de hoje.

De acordo com essa tabela, os países da União UE passam a pagar 20% de tarifas, metade de 39% de barreiras comerciais e não comerciais estimadas.

“Pensamos que a União Europeia é muito amigável, mas eles roubam-nos. É muito triste ver isso. É tão patético; [taxam produtos dos EUA a] 39%, nós vamos cobrar-lhes 20%”, frisou.

Esta madrugada, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse que o bloco está "pronto para responder" à imposição de tarifas por parte dos Estados Unidos e está a trabalhar em novas medidas de retaliação.

Ainda assim, a líder do executivo comunitário adiantou que "existe um caminho alternativo" e que "não é tarde para resolver os problemas através de negociações".