As obras de fundo vão incidir, nesta primeira fase, na requalificação da fachada e das coberturas, e na fase seguinte na recuperação estrutural do museu cujo encerramento parcial temporário ainda está a ser avaliado, segundo as respostas da tutela a questões enviadas pela agência Lusa.

Necessárias há mais de quatro décadas, as obras de fundo deverão avançar no âmbito do PRR, segundo o MC, com “a primeira empreitada posta a concurso público na primeira quinzena de março de 2025”. “Seguir-se-á uma segunda empreitada que irá a concurso oportunamente no tempo sucessivo”, indicou fonte do gabinete da ministra da Cultura, Dalila Rodrigues.

Ainda segundo a tutela, “encontra-se em avaliação”, pela Museus e Monumentos de Portugal, em articulação com o Património Cultural-IP e a Associação de Turismo de Lisboa, “entidades envolvidas no processo de execução do investimento PRR relativo ao museu”, “o impacto das obras a levar a cabo, sendo de admitir que possa ser necessário o encerramento, porventura parcial, desse equipamento”.

Instalado no antigo Mosteiro da Madre de Deus, fundado em 1509 pela rainha D. Leonor, o MNAz, um dos mais importantes museus nacionais, pela sua coleção de azulejaria, foi o mais visitado na capital em 2023, com 276.209 visitantes, seguido pelo Museu Nacional dos Coches, com 226.634 entradas, segundo os dados estatísticos oficiais mais recentes.

Questionada sobre exatamente quais as obras necessárias e previstas no quadro do PRR para o MNAz, tendo em conta que o prazo do programa vai até 31 de março de 2026, a tutela indicou à Lusa que “respondem a problemas estruturais do equipamento”.

“Uma empreitada tratará da requalificação e recuperação das coberturas, vãos e fachadas do Museu; uma outra empreitada será focada na recuperação estrutural e de conservação e restauro do claustro e do claustrim, sem prejuízo de, nesta data, ainda estarem a ser equacionadas outras questões que afetam o museu”, enumerou.

A coleção deste museu abrange a produção azulejar desde a segunda metade do século XV até à atualidade, reunindo, além do azulejo, peças de cerâmica, porcelana e faiança dos séculos XIX a XX.

De acordo com o portal Mais Transparência, estão destinados 4,94 milhões de euros para as obras do PRR no museu, nomeadamente de “reabilitação das fachadas, Conservação e restauro da Torre Sineira e da Torre do Coruchéu, Beneficiação e restauro geral do Claustro, coro alto e revestimento azulejar da igreja”.

Em 2021, em entrevista à agência Lusa, o então diretor do museu, Alexandre Pais, atualmente presidente da MMP, sublinhava a importância de “resolver a médio prazo” os problemas de infiltrações de chuva nos corredores com que o museu se debatia, e também a degradação da fachada.

“A degradação da fachada exterior não dá uma boa imagem do museu. Basta fazer pesquisa nos ‘sites’ internacionais, e há vários que dizem que se [o turista] tiver meio-dia, em Lisboa, e quiser visitar um museu, o aconselham a ir ao Museu do Azulejo, porque a partir dali consegue perceber o que é a cultura e a sensibilidade portuguesas. É muito lisonjeador, mas também alertam os visitantes para não se deixarem desencorajar com o aspeto exterior, porque o interior é surpreendente”, relatou à Lusa, na altura.

De acordo com o mesmo estudo de 2018 sobre públicos dos museus nacionais, o MNAZ possui um grande peso de visitantes estrangeiros, com franceses, brasileiros e alemães a liderar as visitas, por esta ordem, num conjunto de 55 nacionalidades, segundo os dados então recolhidos.

Em dezembro de 2024, foi anunciado o nome de Rosário Salema de Carvalho, investigadora no ARTIS–Instituto de História da Arte, especialista em azulejaria portuguesa, para dirigir o museu, na sequência de concurso público internacional.

Fundado em 1965, o Museu Nacional do Azulejo atrai anualmente milhares de visitantes estrangeiros, que respondem por mais de 80 por cento das entradas, segundo um estudo sobre o perfil dos visitantes dos museus nacionais realizado em 2015 pela então Direção-Geral do Património Cultural, em conjunto com investigadores universitários e divulgado em 2018.

O MNAz tem por missão recolher, conservar, estudar e divulgar exemplares representativos da evolução da cerâmica e do azulejo em Portugal, promovendo a inventariação, documentação, investigação, classificação, divulgação e conservação e restauro da cerâmica, em particular do azulejo.

O museu integra também a salvaguarda patrimonial da igreja e dos demais espaços do antigo Mosteiro da Madre de Deus, onde está instalado.