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O último patriarca
Há momentos que fazem fronteira: o século XXI começou em 11 de setembro de 2001, nas Torres Gémeas de Nova Iorque; o século XX tinha começado a acabar em 9 de novembro de 1989, com a queda do Muro de Berlim, e chega à ponta final do fim neste 25 de novembro de 2016, com a morte de Fidel Castro. Das -
A surpresa seguinte
O Nobel Mario Vargas Llosa é um escritor magistral com notável intervenção cívica e feroz recusa de qualquer forma de ditadura, seja de esquerda ou de direita. É um intransigente defensor da sociedade aberta muito influenciado pelo pensamento liberal de Karl Popper. No seu texto semanal para o El Pa -
E agora, segue-se Le Pen?
Faz sempre bem ouvir os sábios: Zygmunt Bauman, decano dos sociólogos europeus e observador implacável do nosso mundo, analisa na revista italiana L’Espresso a vitória eleitoral de Trump. Assim: diz que “é um sintoma alarmante, reflete o divórcio entre poder e política, do qual resulta um vazio prop -
O impensável aconteceu: President Trump
É um grande falhanço não ter percebido que a desilusão e revolta da América branca contra o sistema político de Washington tivesse tal magnitude que tenha provocado o apocalipse eleitoral de Hillary Clinton. Pela minha parte, peço desculpa pelo erro de análise, por não ter sabido sentir a intensidad -
Estados (muito des)Unidos da América
O mais desconcertante nesta triste eleição nos EUA é que uma personagem como Donald Trump se tenha apoderado da nossa atenção principal. Não há memória de uma campanha com tão venenosa retórica, com tanta raiva à solta e tomada por um candidato instável e megalómano feito showman com o seu discurso -
Desta vez não há American Dream
Hillary é uma candidata que não entusiasma. Há a ideia de que nunca alguém esteve tão preparado para exercer a presidência, é intelectualmente brilhante, mas desconfia-se dela, sobretudo pela noção de que não passaria no scâner da fiabilidade ética e por histórias de suspeitas de possível conflito d -
O "stress test" à política nos EUA
Daqui a duas semanas, na noite de 8 para 9 de novembro, o que é que Donald Trump vai fazer quando, como todas as evidências há muito anunciam, constatar que está derrotado? É de admitir que no final possa acabar a cumprimentar a presidente Hillary Clinton e a anunciar que se retira da política e vol -
E tu, o que pensas sobre isto?
O trabalho sobre a palavra, uma das funções essenciais daquilo a que chamamos literatura, como modo de contar os seres humanos e a vida em toda a nossa complexidade, entrou em nova fase no começo do século XX: com o aparecimento de novas tecnologias baseadas na reprodução do som e da imagem, como o -
GAME OVER PARA "THE DONALD"
A apenas quatro semanas do dia de eleições nos EUA, com Hillary Clinton cada vez mais presidencial e a saber evitar o mais possível o modo reality show rasca desta campanha, duas perguntas emergem como principais: que força política vai ter o populismo nestas eleições? que dimensão terá o dano causa -
O teste da votação na ONU. Quando o mundo está em retrocesso
O poder de figuras como o Papa ou o Secretário-geral da ONU assenta no crédito de carisma e qualidade humana da figura que exerce o cargo, que por sua vez determina o grau da influência da sua palavra. O Papa Francisco surgiu, com reconhecimento quase global, numa ocasião em que se tornou precioso a -
Hillary comanda o guião
Hillary impôs-se no debate: serena, confiante, imperturbável, presidencial. Soube rir e sorrir ao longo dos 90 minutos, ora a desacreditar ora a mostrar-se condescendente com o adversário. Liderou a agenda e dominou os tempos de discussão. Argumentou com consistência, fez o melhor do melhor que sabe -
Estamos quase todos em espera. O paciente europeu resiste?
Estamos quase todos à espera e o sentimento é mais de ansiedade, ou até de temor, do que de ilusão e esperança. Nem me refiro ao que se vive dentro de Portugal onde, apesar de tendências para alguma baixeza assaltar o espaço de discussão pública, as tensões dos últimos anos parecem atenuadas. O sobr -
A ilusão perdida em Roma
Há cidades a que se deseja sempre voltar e Roma é uma delas. Mary Beard, prestigiada especialista em Clássicos da Antiguidade, catedrática em Cambridge, tem escrito livros fascinantes sobre a Roma Antiga que modelou muito da nossa civilização. Ela explica como os pensadores e políticos dessa Roma de -
Alguém consegue fazer a chave espanhola?
Na Utopia, escrita há 500 anos, Thomas More descreve a organização política e social de uma ilha composta por 54 cidades onde funciona a igualdade entre todos. A ilha está dotada de um governo central cuja principal missão é a de repartir com equidade os recursos. Na Utopia não há pobres nem ricos, -
O país de riscos precisa de cultura de prevenção
Em 18 de agosto de 1756 Rousseau enviou a Voltaire o que ficou conhecido como Carta sobre a Providência. Continha os argumentos de contestação de Rousseau às ideias que Voltaire tinha colocado no Poema sobre o Desastre de Lisboa. Na origem da polémica entre os dois filósofos, discussão que depois fo -
Dispam-se quanto lhes apetecer, vistam-se como quiserem - sem tapar a cara
Quando, no final dos anos 40 do século XX, a campeã de natação e estrela do cinema de Hollywood Esther Williams se deixou fotografar, à beira de uma piscina, com o corpo apenas coberto pelas duas peças de tecido de um biquíni levantou-se grande alvoroço, excitação entusiasmada de uns, reprovadora de -
O espetáculo é fabuloso e é para todos
Esta é uma história de encantamentos e magia contagiante. Irromperam nas colunas de som as primeiras notas de "Aquele abraço", o hino à liberdade composto por Gilberto Gil, em 1969, em plena ditadura, o relvado do Maracanã foi transformado num imenso ecrã por onde desfilou a vida do Brasil, as emoçõ -
O jornalismo nestes tempos de guerra diferente
Uma vaga de suicídios correu a Europa em finais do século XVIII. Estima-se que terão sido uns 2800 apaixonados com amores não correspondidos que se inspiraram na dor e desespero final do jovem Werther, de Goethe. Publicado inicialmente em 1774, o romance epistolar Os Sofrimentos do Jovem Werther, tr -
Uma eleição que mexe com todos nós: uma América cosmopolita, otimista e tolerante?
Daqui até novembro vai ocorrer-nos muitas vezes que deveríamos poder participar e votar nas eleições principais nos Estados Unidos da América. Faria sentido não ficarmos à margem na escolha daqueles cujas decisões afetam o nosso modo de vida, por exemplo ao avançarem para guerras e invasões que dese -
Nem nos deixam tempo para pensar
Será que poderemos contrariar a perda do sentido do tempo? Cada dia há um qualquer acontecimento que remove e monopoliza o foco que incidia sobre o que tinha acontecido 24 horas antes, sem termos tido tempo para, em volta do caso anterior, tentar encontrar uma resposta justa que nos conduza à espera -
A voz de Dae'Anna numa América que parece em guerra civil
"It"s okay, mommy, don"t be scared, I"m right here with you." Nós, portugueses, estamos cheios de entusiasmo com as tantas inesquecíveis imagens dos campeões do futebol – já agora, bravos também para as campeãs do atletismo –, mas aquela voz e as imagens de Dae"Anna que com os seus quatro anos de id -
Então isto não é uma guerra?
A guerra em curso ainda não entrou na Península Ibérica (desde a tremenda matança nos comboios suburbanos de Madrid, em março de 2004) mas estamos todos na linha de mira. Eles, os terroristas, escolhem lugares que estão no percurso da nossa satisfação: esplanadas, restaurantes, bares, geladarias, te -
A crise está a explodir. Alguém tem a audácia de um plano estimulante para reanimar a Europa?
Nos anos 80 e 90, até mesmo na viragem para este século XXI, a União Europeia era vivida como uma ideia visionária e um sentimento político que entusiasmava pela sua cultura que tem como valores primários a liberdade e a solidariedade. A presidência europeia de Delors (1985/95) e a evolução do cont