Dois meses após a chegada à Casa Branca, Trump celebrou, pelo menos, a vitória em duas eleições parciais para a Câmara de Representantes na Flórida, cujas cadeiras continuarão com o Partido Republicano.

Mas no primeiro teste eleitoral do segundo mandato, foi derrotado: o candidato que Trump e os republicanos apoiavam, Brad Schimel, perdeu para a juíza liberal Susan Crawford, segundo a imprensa americana.

Na Flórida, duas cadeiras na Câmara dos Representantes dos Estados Unidos estavam em jogo esta terça-feira para cobrir as vagas deixadas pelo assessor de Segurança Nacional de Trump, Mike Waltz, e do então candidato a procurador-geral Matt Gaetz, que acabou por não assumir a pasta.

Segundo projeções da imprensa, os republicanos ganharam e Trump celebrou as duas "amplas" vitórias, enfatizando o seu "apoio" aos candidatos.

O novo presidente não disse nada, no entanto, sobre o resultado na disputa para o Supremo Tribunal Wisconsin e preferiu falar sobre a adoção, num referendo organizado no mesmo dia, de uma medida que obriga os eleitores a apresentar um documento de identidade com foto para poder votar.

"É uma grande vitória para os republicanos, talvez a maior da noite", escreveu.

"O mais importante"

Musk também não reagiu à derrota de Schimel e celebrou apenas o resultado do referendo. "Era o mais importante", escreveu na rede social X.

O bilionário, que lidera os severos cortes nos gastos públicos da administração Trump, viajou a Wisconsin para tentar aumentar o apoio a Schimel.

Se este vencesse, a máxima instância judicial deste estado dos Grandes Lagos iria inclinar-se para a direita.

"É como uma daquelas situações estranhas em que uma eleição aparentemente pequena pode determinar o destino da civilização ocidental", afirmou o homem mais rico do mundo num debate na rede social X esta terça-feira.

O também CEO da Tesla e da SpaceX está preocupado que o Supremo Tribunal do Wisconsin possa reequilibrar o traçado dos distritos eleitorais a favor dos democratas.

Muito em jogo

Para ilustrar o que estava em jogo em Wisconsin, a campanha pelo Supremo Tribunal bateu um recorde de gastos, em particular com publicidade e tentativas de aumentar a participação, especialmente por parte de Musk.

No domingo, o empresário entregou cheques de 2 milhões de dólares aos eleitores no palco de um comício em apoio a Schimel, uma iniciativa que os democratas consideraram ilegal.

Segundo o Brennan Center da Universidade de Nova Iorque, esta foi a eleição judicial mais cara da história dos Estados Unidos, com mais de 90 milhões de dólares gastos na campanha.

Schimel e os seus apoiantes gastaram mais de 53,3 milhões de dólares, incluindo 12,2 milhões do comité de ação política de Musk. A campanha de Crawford e os seus apoiantes desembolsaram 45,1 milhões de dólares.

Em pouco mais de dois meses no cargo, o bilionário republicano definiu o tom de como será a sua presidência. Além de desmantelar agências federais e demitir milhares de funcionários com uma comissão liderada por Musk, Trump assinou centenas de decretos que envolvem energia, migração, diversidade, aquecimento global, entre outras questões.

As sondagens apontam para uma queda relativa na sua popularidade, mas o presidente de 78 anos ainda não tinha enfrentado nenhum desafio nas urnas.

Os democratas, por sua vez, estão à deriva desde que perderam a presidência para Trump, assim como a maioria na Câmara e no Senado, em novembro.

Na Flórida, foram derrotados por margens percentuais de dois dígitos nas duas eleições especiais.