
Recuamos 50 anos, o início da década de 70, dois jovens apaixonados por tecnologia passavam horas a programar num pequeno laboratório da Universidade de Harvard: Bill Gates, um estudante promissor, e Paul Allen, um autodidata.
Os dois acreditavam que os computadores pessoais seriam o futuro e queriam ser os responsáveis por fazer com que todos pudessem ter um. A grande oportunidade surgiu em 1975, quando leram sobre o Altair 8800, um dos primeiros computadores pessoais.
Gates e Allen criaram um interpretador da linguagem BASIC para o Altair e convenceram a empresa MITS a usá-lo. O resto é história.
As palavras de Gates
Na semana em que a empresa celebra 50 anos, Bill Gates partilhou documentos inéditos no seu site oficial. Para além de um breve artigo onde conta a história da empresa na primeira pessoa, divulgou um arquivo PDF com o código-fonte do Altair Basic, a linguagem de programação que deu origem à empresa.
Foram estas 157 páginas de código que fizeram nascer a Microsoft, que inicialmente chamava-se “Micro-Soft” – junta as palavras “microcomputador” e “software”.
Nos primeiros tempos, os dois programadores trabalhavam num pequeno escritório em Albuquerque, Novo México, longe de imaginar que um dia iam liderar um império tecnológico.
O domínio do Windows
Em meados da década de 1980, a empresa dominava o mercado de sistemas operativos de computadores pessoais com o MS-DOS, seguido pelo Microsoft Windows.
A oferta pública inicial da empresa, em 1986, e o consequente aumento no preço das suas ações, tornou bilionários e milionários cerca de um terço dos 12 mil funcionários da Microsoft.
A era da internet e dos videojogos
Com a chegada da internet, a Microsoft adaptou-se rapidamente.
Em 1995, lançou o Internet Explorer, o navegador mais usado do mundo.
No início dos anos 2000 começou a expandir-se para o entretenimento, lançou o Xbox, entrando assim no competitivo mercado dos videojogos. O Xbox Live revolucionou o jogo online e criou uma nova comunidade de jogadores.
A aposta na nuvem
Pouco depois, a Microsoft investiu fortemente na computação em nuvem.
O lançamento do Microsoft Azure permitiu armazenar dados em servidores remotos via internet, eliminando a necessidade de armazenamento local. Esta inovação foi fundamental para governos e empresas, que passaram a aceder a documentos de forma mais flexível e eficiente.
Para reforçar essa estratégia, em 2011 foi lançado o Office 365, trouxe um conjunto de ferramentas que estamos habituados a trabalhar como o Word, o Excel, o PowerPoint e o Outlook, também eles acessíveis através da internet.
Em março de 2017, a Microsoft apresentou o Teams, uma plataforma de colaboração empresarial integrada no Office 365.
Ao longo dos anos, a empresa expandiu-se através de aquisições estratégicas, como o Skype, a Nokia e o LinkedIn, fortalecendo a posição da Microsoft em diferentes segmentos.
A corrida à IA
O futuro da Microsoft vai estar cada vez mais ligado à inteligência artificial, realidade aumentada e outras tecnologias emergentes.
A empresa continua a explorar novas formas de transformar a maneira como as pessoas e as empresas interagem com a tecnologia.
Prova disso são a parceria com a OpenAI que para além de permitir a integração do ChatGPT nos seus produtos, fez nascer o CoPilot – lançado como Bing Chat a 7 de fevereiro de 2023, um assistente de Inteligência Artificial que representa um marco na nova era de evolução tecnológica da Microsoft.
Estas ferramentas têm como objetivo transformar a forma como trabalhamos e comunicamos.
No entanto, a corrida para o domínio da IA traz vários desafios.
Por um lado, empresas concorrentes, como a Google e a Amazon, disputam a liderança no setor. Por outro, sofrem a pressão dos reguladores que levantam questões sobre a privacidade, transparência e o impacto da IA no mercado de trabalho.
Apesar de a empresa ser uma das mais influentes mundo, existem algumas áreas onde não se conseguiu destacar:
- Smartphone e telemóveis: Apesar de várias tentativas, incluindo a aquisição da Nokia e o desenvolvimento do sistema operativo Windows Phone, a Microsoft não conseguiu competir eficazmente com iOS (da Apple) e Android (do Google), que dominam amplamente o mercado.
- Redes sociais e plataformas de interação online: Embora a Microsoft tenha adquirido o LinkedIn, um dos maiores sites de rede profissional, ainda não conseguiu destacar-se em redes sociais mais amplas, como o Facebook, Instagram e TikTok, que são dominantes na comunicação social e na criação de conteúdos.
- Motor de busca: O Internet Explorer e, mais recentemente, o Microsoft Edge, não conseguiram superar o domínio do Google Chrome, que se tornou o navegador preferido dos utilizadores a nível global.
Além disto, tal como outras grandes empresas de tecnologia, a Microsoft tem enfrentado desafios económicos nos últimos anos. Alguns fatores como a saturação do mercado, a competição crescente na nuvem e o impacto da pandemia de COVID-19 podem justificar as oscilações no valor das suas ações.
A Microsoft é atualmente a segunda empresa mais valiosa do mundo, está avaliada em cerca de 2,84 mil milhões de dólares.
Contudo, o futuro da empresa vai depender da sua capacidade de equilibrar inovação com responsabilidade.
Comentários