"Estamos a falar de as pessoas manterem sempre uma capacidade de criarem novas amizades e novas relações para além daquelas que já tinham, desde o vizinho até à pessoa da farmácia. É muitíssimo importante que essas ligações se vão alimentando ao longo da vida, porque senão corremos o risco de ninguém dar pela nossa falta quando desaparecemos", observa a professora da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (FCSH/UNL).

A socióloga falava à Lusa a propósito da informação prestada pela PSP de que, nos últimos três anos, morreram 757 idosos sozinhos em casa nos centros urbanos de todo o país.

Lembrando que, "muitas vezes", os idosos ficam sozinhos "porque as pessoas da mesma idade entretanto morreram", Maria João Valente Rosa aconselha os atuais adultos a formarem relações com pessoas de gerações mais novas, de modo a não virem a cair numa situação de solidão social não desejada.

Além da constituição regular de laços, a docente universitária recomenda que as pessoas se mantenham ativas e percebam se a sua habitação pode vir a ter no futuro "grandes obstáculos" a saírem de casa.

Maria João Valente Rosa defende ainda que o espaço público e os transportes públicos têm de ser repensados para pessoas "com idades superiores, problemas de saúde" e com menos mobilidade.

"O espaço público, e falando em especial das cidades, não é um espaço particularmente amigável para as pessoas com idades superiores e que têm alguns problemas de saúde, a começar pelos passeios. Quando olhamos para o modo como nós entramos no transporte público, são passos que, para pessoas que não tenham problemas de mobilidade, são simples, mas para uma pessoa com problemas de mobilidade não é assim", sustenta.

O desenvolvimento de sistemas tecnológicos que permitam alertar a PSP quando é necessário é outra das soluções apontadas pela socióloga, que lembra que, enquanto os idosos de hoje foram surpreendidos pelo aumento da esperança média de vida, os do futuro já sabem que vão viver mais, num contexto social com menos filhos e de aposta em relações virtuais.

"É preciso ver o que é que nos leva, o que é que está na causa destas situações terríveis, para evitar que elas se voltem a repetir. E é trabalhando sobre as causas que nós conseguimos evitar as consequências", insiste.