Em depoimento ao juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal, responsável pela Operação Lava Jato no Rio de Janeiro, o ex-governador declarou que comprou votos de delegados do Comité Olímpico Internacional em 2009, com o intuito de garantir que o seu estado fosse sede da competição olímpica de 2016.

De acordo com a imprensa local, Cabral disse que o ex-presidente do Comité Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman, indicou o presidente da Federação Internacional de Atletismo (IAAF), Lamine Diack, como intermediário do esquema.

“O Nuzman disse-me: o presidente da Federação Internacional de Atletismo, Lamine Diack, abre-se para vantagens indevidas”, disse hoje Cabral ao magistado, citado pelo portal de notícias G1.

O interrogatório foi um pedido da defesa do ex-governador, que pretende colaborar com as investigações da Operação Unfairplay, um desenvolvimento da Operação Lava Jato.

A Operação UnfairPlay está a cargo da Polícia Federal brasileira, em conjunto com o Ministério Público Federal, que investiga a compra de votos para eleger o Rio de Janeiro como cidade olímpica, no âmbito da qual foi preso, no dia 05 de outubro de 2017, o presidente do COB e do Comité Rio 2016, Carlos Arthur Nuzman.

Neste processo, além de Cabral, também Nuzman e o empresário Arthur Soares Filho, conhecido como Rei Arthur, foram acusados de corrupção devido à suspeita de compra de votos.

São também réus no processo o ex-diretor do COB Leonardo Gryner, Lamine Diack e o seu filho Papa Massata Diack.

No interrogatório de hoje, Cabral disse que questionou Nuzman acerca da origem dos votos, ao que o então presidente do COB teria respondido que seriam de membros africanos do comité, assim como de representantes de atletismo.

O ex-governador afirmou ainda que o ex-nadador russo Aleksandr Popov foi um dos que receberam o suborno a favor da candidatura do Rio de Janeiro.

Aquele estado brasieliro disputava a sede dos Jogos Olímpicos de 2016 com Madrid, Chicago e Tóquio.

Cabral declarou também que o ex-prefeito Eduardo Paes e o ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva tinham conhecimento da compra de votos. Frisou, no entanto, que ambos não participaram na negociação.

O caso foi revelado em março de 2017 pelo jornal francês Le Monde.

O ex-governador Sérgio Cabral responde em 29 processos, tendo já sido condenado em nove deles, somando 198 anos de prisão na Justiça Federal do Paraná e do Rio de Janeiro.