Em declarações aos jornalistas na Casa Branca, Trump lembrou que no início do mês enviou uma carta ao líder do Irão, 'ayatollah' Ali Khamenei, instando-o a negociar o programa nuclear iraniano.

"Enviei-lhes uma carta recentemente e disse-lhes que teriam de tomar uma decisão, de uma forma ou de outra, e que teríamos de conversar e resolver a situação, ou coisas muito más iriam acontecer ao Irão, e eu não quero que isso aconteça", afirmou.

 Paralelamente a este apelo para o diálogo, Donald Trump tem intensificado a política de "pressão máxima" sobre o Irão, com sanções adicionais e a ameaça de uma ação militar em caso de recusa de conversações.

De acordo com a imprensa norte-americana, a carta que Trump enviou a Khamenei, no início deste mês, incluía um prazo de dois meses para chegar a um acordo sobre o programa nuclear iraniano e afirmava existirem "duas maneiras de lidar com o Irão: militarmente ou chegando a um acordo".

Na quinta-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, disse que Teerão tinha formulado uma resposta à carta do Presidente norte-americano, sem especificar o conteúdo.

Araqchi reiterou que a posição iraniana continua a ser a de "não negociar diretamente [com os Estados Unidos] sob pressão máxima e ameaças de ação militar". Contudo, notou que "negociações indiretas, tal como existiram no passado, podem continuar".

Ainda na segunda-feira, o chefe da diplomacia iraniana salientou que, com as acusações e as exigências da administração norte-americana, não vão entrar em negociações diretas. 

Durante o primeiro mandato (2017-2021), Trump ordenou a saída unilateral dos EUA do acordo nuclear com o Irão, negociado em 2015 pela administração Barack Obama (2009-2017) juntamente com China, França, Rússia, Reino Unido e Alemanha.

O pacto limitava o programa nuclear do Irão em troca do levantamento das sanções económicas. Com a saída do acordo, Trump restabeleceu as sanções contra a República Islâmica.

O Irão e os Estados Unidos não mantêm relações diplomáticas desde 1980. Mas os dois países trocam informações indiretamente através da embaixada suíça em Teerão, que representa os interesses norte-americanos no Irão.

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