
Segundo a agência noticiosa oficial Sana, no encontro de Damasco, o chefe da diplomacia síria, ele próprio alvo de sanções da União Europeia (UE), sublinhou a Pedersen a necessidade de acabar com "todas as medidas coercivas unilaterais" impostas ao longo da última década contra diferentes pessoas e entidades no país árabe.
O Governo do Presidente sírio, Bashar al-Assad, denunciou que a entrega de ajuda humanitária após os terremotos está a ser prejudicada por sanções dos Estados Unidos, da União Europeia (UE) e de outros países, algumas das quais estão em vigor desde o início do conflito em 2011 e alguns mais recentes.
Segundo a Sana, al-Mekdad também garantiu ao enviado da ONU que Damasco está preparada para enviar ajuda humanitária aos afetados pela catástrofe "em todas as áreas, sem discriminação", dias depois de ter anunciado a vontade de transportar mantimentos para as regiões rebeldes no noroeste do país.
Fonte diplomática, que pediu anonimato, indicou à agência noticiosa espanhola EFE que, quinta-feira passada, um camião com ajuda humanitária enviado por Damasco estava a aguardar num posto de controlo por uma autorização para atravessar áreas controladas pelos rebeldes em Saraqib, cidade da província de Idlib, no noroeste, retomada pelas forças do governo há três anos.
No entanto, a Agência de Libertação do Levante (ALL), uma aliança islâmica que inclui a ex-afiliada síria da Al Qaeda e que domina grandes partes de Idlib, negou que qualquer camião enviado por Damasco esteja a aguardar por uma autorização para entrar em Saraqib.
Por seu lado, no encontro, Pedersen admitiu a importância de a ONU continuar a ajudar em "todas" as regiões do país, na sequência de uma tragédia que atingiu áreas controladas pelo governo de al-Assad e também outras nas mãos de grupos rebeldes da oposição.
"Fiquei satisfeito ao ouvir as garantias do Governo sírio de que nos apoiarão no trabalho que estamos a realizar em toda a Síria", disse Pedersen em declarações à imprensa após a reunião.
O diplomata norueguês reconheceu que, depois dos terremotos, há um "desafio particular" para enviar assistência humanitária para os redutos rebeldes, que só receberam as primeiras ajudas quatro dias após os sismos.
"A resposta está agora a ser corrigida, embora não resolva, ainda, todos os problemas" com que se deparam as populações naquelas regiões do noroeste da Síria, concluiu.
Segundo os dados mais recentes, os sismos deixaram pelo menos 3.575 mortos e 5.291 feridos na Síria, embora tanto o Ministério da Saúde sírio quanto os 'capacetes brancos', que lideram as buscas nas regiões rebeldes, não consigam atualizar os dados com maior frequência.
Segundo os dados hoje divulgados pela Organização Mundial de Saúde (OMS), os sismos que devastaram há uma semana o sul da Turquia e o noroeste da Síria causaram pelo menos 40.943 mortes -- 31.643 mortos na Turquia e cerca de 9.300 na Síria.
Na Síria, país assolado por uma guerra civil desde 2011, indicou a OMS, cerca de 4.800 pessoas morreram nas áreas controladas pelo regime do Presidente Bashar al-Assad, enquanto nas áreas controladas pelos rebeldes foram contabilizadas cerca de 4.500 vítimas mortais.
JSD // APN
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