
"O investidor é muito apressado, muito afoito. A gente tem que ter um pouco mais de boa vontade com o governo, 45 dias é pouco tempo", afirmou Campos Neto, durante um evento em São Paulo, citado pela Agência Brasil.
Ainda durante o período de transição de Governo, o mercado mostrou 'nervosismo' com as afirmações do novo Presidente brasileiro, Lula da Silva, de que iria dar prioridade às políticas sociais em prol do rigor orçamental.
"Dá para fazer [uma política] fiscal responsável com uma parte social. O Brasil já tinha problemas sociais, a pandemia agravou muito, gerou muita desigualdade. Acho que dá para casar as duas coisas", frisou o presidente do Banco Central.
Estas declarações surgem numa altura de fricção entre o próprio Campos Neto e Lula da Silva, com o Presidente brasileiro a pedir ao Banco Central que baixe a taxa de juro.
Um grupo de manifestantes, pertencentes a movimentos sindicais, protestou hoje em frente da sede do Banco Central do Brasil em São Paulo para exigir uma descida da taxa de juro, em consonância com as pressões que o governo está a exercer sobre o organismo emissor.
A manifestação reuniu cerca de 20 membros do sindicato dos trabalhadores bancários e da Central Única dos Trabalhadores (CUT), o maior sindicato do país, ligado ao Partido dos Trabalhadores do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Os sindicatos exigiram também a demissão do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, que foi nomeado pelo agora ex-presidente Jair Bolsonaro e não pode ser demitido porque o órgão goza de plena autonomia.
Lula da Silva está a pressionar abertamente o Banco Central a baixar as taxas de juro, que estão a 13,75%, o nível mais alto desde 2016, para tentar evitar um arrefecimento da economia, que de acordo com os cálculos oficiais crescerá menos de 1% este ano.
MIM // RBF
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