
O dermatologista Emanuel Marques explicou ao SAPO24 que a remoção do pelo pode ser feita de duas formas: por epilação e depilação. Enquanto a primeira “remove totalmente o pelo”, na depilação com lâmina “somente a parte do pelo que está na superfície da pele é removida”, pelo que “é normal que no primeiro processo os pelos levem mais tempo para crescer novamente”.
Segundo o especialista, para que o pelo seja arrancado pela raiz, os métodos mais utilizados são, por exemplo, a “cera quente ou fria, laser, pinça, máquina depilatória, entre outros”. No entanto, isto não significa que cortar o pelo o faça crescer em maior quantidade.
A depilação com lâmina não engrossa o pelo, nem o torna mais escuro. Na verdade, esta perceção resulta do facto de que “uma vez cortado, o pelo fica tenso no ar, menos maleável, provocando uma sensação áspera ao toque”, refere. Além disso, revela que “a sua velocidade de crescimento também não se altera”.
Cortar o pelo em vez de o arrancar pela raiz não tem influência nas propriedades do folículo. A transformação na velocidade de crescimento e espessura dos pelos é apenas provocada por uma alteração hormonal.
O que provoca então o crescimento do pelo?
As características do pelo são principalmente influenciadas pela genética.
Com o tratamento a laser, o pelo pode ser removido de forma definitiva, pela danificação do folículo. Este processo queima a raiz do pelo, atrasando assim o seu crescimento. Contudo, o laser não está associado a doenças de pele. Emanuel Marques esclarece que “não há evidência científica que mostre que este possa induzir uma neoplasia (cancro)”, no entanto, é um procedimento que “acarreta múltiplos riscos”.
Para manter uma pele saudável, interessa, antes de agendar uma sessão de depilação, marcar uma consulta com um médico dermatologista e “esclarecer todas as dúvidas”. De acordo com o especialista, neste momento, é importante considerar se:
- Toma ou não certa medicação;
- Tem um histórico de doenças de pele;
- Se está ou não muito exposto à radiação ultravioleta.
Face a estas respostas, é também relevante saber que o laser “pode estar contraindicado” para pessoas que estejam sujeitas a alguma medicação ou sejam muito expostas à radiação ultravioleta. A depilação com gilete “pode não ser adequada para um doente com eczema atópico, assim como o laser pode não ser adequado para alguém com história de formação de cicatrizes hipertróficas, por exemplo”.
Como manter uma pele saudável?
Apesar de ser o método mais fácil e rápido, e causar menos dor, a depilação com gilete “coloca algum stress sobre a pele, especialmente sobre a sua camada mais superficial (epiderme)”. "Quando esta é afetada, a pele torna-se mais seca e propensa a irritações”, adiciona.
Algumas das consequências da utilização da lâmina são, por exemplo, o aparecimento de “pelos encravados, irritação da pele e por vezes acne, dependendo da localização da depilação”.
Assim, a principal recomendação de Emanuel Marques para uma pele saudável é “o uso do protetor solar”. Este tem “um papel crucial na prevenção do cancro de pele - neste momento o tipo de cancro mais frequente na população”. A par disso, aconselha a “utilização frequente de cremes hidratantes” para a “criação de uma barreira eficaz que evita que substâncias irritantes ou perigosas entrem”.
Outros benefícios da aplicação de cremes hidratantes incluem “uma prevenção do envelhecimento precoce da pele, uma vez que esta promove a elasticidade e reduz a aparência de rugas e linhas finas de expressão”. “Uma pele hidratada torna-se mais luminosa, mais brilhante, e portanto apresenta um aspeto mais saudável”, conclui.
*Edição por Ana Maria Pimentel
Comentários