“Tendo como critério fundamental e único a média das classificações que os alunos obtiveram em contexto de exame, é redutor e não dá para comparar”, defendeu o presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), em declarações à agência Lusa.

Em reação aos 'rankings' das melhores médias nos exames, divulgados hoje e que voltam a colocar os colégios privados no topo, Filinto Lima sublinhou que o desempenho dos alunos naquele momento de avaliação é influenciado por vários fatores que não são tidos em conta, como o acesso a explicações ou a falta de professores ao longo do ano letivo.

“Comparar aquilo que é incomparável não me parece honesto”, considera o diretor de Vila Nova de Gaia.

A posição é partilhada pelo presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE), que afirma que as listagens feitas pelos órgãos de comunicação social tratam escolas com contextos muito diferentes como se partilhassem realidades semelhantes.

“Há escolas que fazem um trabalho fantástico e depois esse trabalho não se reflete nos ‘rankings’”, lamentou Manuel Pereira, sublinhando que em alguns contextos mais desfavorecidos, o “desafio maior é ter os alunos na escola”.

Os diretores escolares não desvalorizam totalmente os dados, mas relativizam-nos e Manuel Pereira explica que algumas escolas recorrem às médias dos exames nacionais para avaliar o seu trabalho, mas comparam-no apenas com os resultados em estabelecimentos com contextos semelhantes.

“O ‘ranking’ que seria mais positivo era o ‘ranking’ da superação, das escolas que vão além daquilo que é expectável, que puxam mais pelos alunos. Aí podíamos comparar”, acrescenta Filinto Lima.

Essa análise já é possível através do indicador de Equidade, que acompanha o percurso dos estudantes beneficiários de Ação Social Escolar e compara-o com o de alunos que têm um perfil semelhante.

“Ano após ano, os ‘rankings’ aproximam-se do seu objetivo de comparabilidade, embora ainda estejam muito distantes”, reconhece o presidente da ANDAEP.

Já Manuel Pereira considera que a publicação dos ‘rankings’ é, sobretudo, “um grande contributo que a comunicação social dá às escolas privadas em termos de promoção”.