Tudo começou com imagens divulgadas pela associação Frente Animal que mostram trabalhadores a agredir os animais e dezenas de frangos feridos e mortos.na rede social Instagram da Lusiaves que mostravam trabalhadores a agredir os animais, aves feridas, com asas partidas e órgãos expostos, e dezenas de animais mortos.

A publicação foi feita com imagens que, alegadamente, foram captadas em novembro numa quinta do grupo na Figueira da Foz, certificada com o selo Welfair desde 2022.

Entretanto, a DGAV foi acusada de não agir pela defesa dos direitos dos animais, e em resposta, frizou que, "ao contrário do que tem vindo a ser afirmado publicamente, atuou de forma pronta e imediata logo após a denúncia inicial”, em comunicado.

Foram assim desencadeadas inspeções em várias explorações da Lusiaves, que resultaram na identificação de diversas “não conformidades”, que exigiram a implementação de medidas corretivas. A composição das equipas de apanha e a densidade de animais foram alguns dos fatores investigados.

Por outro lado, foram adotadas outras medidas, que a DGAV não adianta, com prazos definidos e instaurado um processo contraordenacional relativamente a uma das explorações.

“Os serviços regionais estão a acompanhar a execução das medidas impostas e mantêm a monitorização das condições nas unidades em causa”, apontou.

O grupo Lusiaves suspendeu os quatro funcionários identificados pelas imagens e perdeu temporariamente o selo de bem-estar animal na exploração Quinta de Matinhos. A partir de agora, só pode tentar recuperá-lo a partir de agosto, adiantou, no final de março, à Lusa a Welfair, responsável pela certificação.

“Em 17 de março, decidimos suspender temporariamente a certificação até agosto de 2025. [A empresa] mostrou-se contra esta decisão, alegando que se tratou de um episódio que envolveu quatro trabalhadores”, anunciou fonte oficial da Welfair.

A partir desta data, as embalagens de carne da Lusiaves produzidas na Quinta de Matinhos não podem conter o selo que assegura ao consumidor o cumprimento das boas práticas de bem-estar animal.

Contudo, a partir de agosto, a empresa pode tentar recuperar este selo. Para isso, terá de solicitar uma nova certificação, uma nova auditoria, bem como cumprir todos os padrões exigidos por esta entidade.

Menos de 24 horas após o alerta, a Welfair enviou um auditor à quinta, acompanhado por um responsável da entidade certificadora nacional.

No local, foi possível confirmar que algumas imagens foram captadas na quinta, mas não foram verificados maus-tratos.

À data, a quinta tinha muitos frangos com cerca de três dias, não sendo possível avançar com uma auditoria.

Já no matadouro com o qual a quinta habitualmente trabalha, foi constatada uma “mortalidade mais alta do que a esperada”, ou seja, foi enviado um número de frangos superior ao previsto.

A agência Lusa contactou, na altura, a Lusiaves e a DGAV mas não obteve respostas.